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"Boyhood" e a arte de Richard Linklater - Funny Girl

Cinema Boyhood

Published on janeiro 20th, 2015 | by Maiara Tissi

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“Boyhood” e a arte de Richard Linklater

 

#EspecialOscar2015

A canção “Yellow” da banda Coldplay dá tom à primeira cena de Boyhood – Da Infância a Juventude, audaciosa nova obra de Richard Linklater que acompanha o garoto Mason a partir dos oito anos de idade até sua entrada na faculdade. A jornada de Mason e sua família ordinariamente desestruturada é contada com a ajuda dos atores Ellar Coltrane, Patricia Arquette e Ethan Hawke, que embarcaram na aventura de dar vida a seus personagens durante os doze anos de gravação do longa.

Boyhood

Autor e diretor da série “Antes” (do Amanhecer, do Pôr do Sol e do Entardecer), Linklater mais uma vez mostra que sabe acompanhar com maestria e verossimilhança as diferentes fases da vida de gente como a gente. Sem necessidade de determinar ou expor datas, sua narrativa não é tratada com determinação periódica, mas como um retalho de momentos da vida. Embora importantes, a escolha não é por aqueles de emoções extremas como grandes términos, dias especiais de festividades ou mudanças dramáticas, mas sim por pequenas lembranças que levaram a estes dias importantes ou ligaram um evento ao outro. Com transições sutis e enquadramentos significativos, a vida de Mason e sua família é acompanhada como a memória de qualquer um poderia contar.

Enquanto na trilogia lançada em 1995, 2004 e 2013, o espectador viaja pelos caminhos e escolhas de seus protagonistas e tem a sensação de reencontra velhos e queridos amigos a cada nove anos, em Boyhood – Da Infância a Juventude, em uma realização inédita no cinema, o público conhece e acompanha aquela família e suas diversas mudanças de uma vez só. A dinâmica destas pessoas tão reais em momentos tão singulares, e ao mesmo tempo comuns na vida de todos, inevitavelmente faz com que durante o longa o espectador por vezes relembre episódios da própria vida.

Boyhood

Embora soe clichê, é lindo testemunhar as questões, desafios e descobertas juntamente com Mason. De maneira tão vivida e honesta, é tocante. Para a lista de Linklater, mais um roteiro que propõe um debate interno com personagens tão reais que parecem nós mesmos. Boyhood deixa de lado os pontos de virada agudos e pequenos clímax ao longo da trama para aproveitar o que seu diálogo bem escrito melhor tem a oferecer.

Em cenas cinematograficamente simples, Linklater captura lindamente aqueles pequenos minutos da infância quando você percebe com outros olhos o que acontece à sua volta. Através de uma câmera leve, tímida, que trabalha bem e nos aproxima, mas faz questão de se fingir invisível. A magia está em compor, como em um diário, uma coleção de memórias que embora aparentemente aleatórias, ditam o compasso da vida.

 

Indicações ao Oscar 2015: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição.

 

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About the Author

Criadora e editora-chefe do site Funny Girl. Apesar de ter prestado vestibular para Rádio e TV e adorar dar uma de jornalista, Maiara é cineasta por formação. Residente em São Paulo, suas grandes paixões são o cinema e o teatro, embora também não resista a um bom livro e seja levemente viciada em seriados de televisão.



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