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Crítica: "Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros" - Funny Girl

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Published on setembro 11th, 2012 | by Maiara Tissi

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Crítica: “Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros”

Uma febre um tanto estranha tomou o mundo literário alguns anos atrás, em que obras clássicas eram invadidas por monstros e seres fantásticos. Dessa mistura muito louca surgiram livros como Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos e Orgulho e Preconceito e Zumbis.

Hollywood não poderia deixar a oportunidade escapar e a última adaptação ao chegar nos cinemas é a de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros. Produzida pelo homem que adora colocar as mãos em uma trama macabra e um filme obscuro, sempre com suas pitadinhas de humor. Tim Burton, himself!

Nessa história que faz uma mistura interessante de fatos reais, fantasia e ação, o presidente americano Abraham Lincoln possui uma segunda vida um tanto inusitada. Seu passado é mostrado, desde sua infância, sua família, seu primeiro contato com vampiros, seu mentor e o caminho até a presidência. Contando também com um pouco de romance, um vilão ameaçador e bateção de bundas, como não poderia deixar de ser.

A trama de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros tem potencial, tanto para as cenas de ação quanto para o suspense e até para boas gags cômicas. O longa, porém, escolhe caminhos que decepcionam. A começar por seu início meio parado. Até aí a esperança é que seja um “aquecimento” para o que está por vir. Mas a segunda parte do filme passa a ser absurda e mal feita, a ponto de deixar a impressão que o começo parado era mais interessante.

A cena que precede o grande clímax é um exemplo. Há um duelo entre o protagonista e um vampiro, que tem a intenção de criar grande expectativa e excitação, e poderia, talvez, se não fosse ambientada em meio a uma corrida de dezenas de cavalos selvagens (?!). Além da falta de recursos gráficos suficientes para a cena, ela é construída narrativamente de forma muito pobre e ao invés de levantar os espectadores da poltrona, nos faz querer colocar a mão na frente dos olhos – e não por medo.

Entre seus pontos fortes estão os momentos em que de fato há briga corpo a corpo entre Lincoln e os vampiros. Visualmente bem feitos e focados na única obrigação de fazer uma boa cena de ação, o resultado é positivo.

O ator Benjamin Walker (irmão gêmeo desgarrado do Tom Chaplin da banda Keane), quem dá vida ao presidente, apesar de não ser conhecido, foi uma boa escolha. Por vezes com uma semelhança incrível com um dos maiores homens da História dos Estados Unidos, ele consegue encarnar satisfatoriamente as diversas facetas de seu personagem.

Os fatos interessantes da vida do presidente, como ele realmente ser um lenhador, ter perdido a mãe quando criança, entre outras tragédias em sua vida, são interessantes e muito bem introduzidas na história. O começo de seu envolvimento com a política, porém, é retratado superficialmente. Forçando com que em meados do filme ele seja representado – de uma hora para outra – já como presidente, não são dadas muitas explicações, deixando uma trilha confusa e o questionamento se não seria mais inteligente desenvolver melhor seu início político, seus desejos, motivações e desafios, terminando o filme com sua ascensão sobre o maior cargo americano.

O vilão é outro que sofre com escolhas obscuras do roteiro. Promissor, o antagonista é interpretado por Rufus Sewell, um vampiro que toma Lincoln como seu próximo alvo, mas de repente anos se passam e nada acontece. O que definitivamente não é de se esperar de um vampiro super poderoso que acaba de decidir sua próxima vítima. Buracos gigantes no roteiro como esse mostram que quem quer que tenha sido o responsável por esse trabalho (Seth Grahame-Smith, de Sombras da Noite, que também merecia um roteiro melhor) não deveria estar nem em Hollywood.

Não li o livro, portanto não sei a que o filme permaneceu fiel ou não, mas se fosse o caso, o roteiro deveria fazer as mudanças necessárias para que no cinema a história não ficasse entediante ou absurda (não em termos de veracidade, mas sim de bom gosto).

Era de se esperar de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros mais do que um machado legal (embora seja bem legal!) e monstros feios. Sua direção (de Timur Bekmambetov, o mesmo do incrível O Procurado) repleta de clichês descarados – e não se aproveitando para fazer piada com nenhum deles – mostra que o filme se leva mais a sério do que deveria e talvez uma dose maior de humor pudesse ter deixado o longa ao menos divertido.

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About the Author

Criadora e editora-chefe do site Funny Girl. Apesar de ter prestado vestibular para Rádio e TV e adorar dar uma de jornalista, Maiara é cineasta por formação. Residente em São Paulo, suas grandes paixões são o cinema e o teatro, embora também não resista a um bom livro e seja levemente viciada em seriados de televisão.



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