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Crítica: "Ela" - Funny Girl

Cinema Ela

Published on fevereiro 27th, 2014 | by Maiara Tissi

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Crítica: “Ela”

O diretor Spike Jonze (Onde Vivem os Monstros) tem o costume de criar fábulas que utilizam de uma realidade um tanto parecida, mas não exatamente igual a nossa – seja um futuro não muito distante ou um lugar desconhecido, para contar a história de seres fascinantes que se descobrem no desconhecido e fazem o espectador refletir sobre o que está a sua volta. No indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original deste ano, Ela, Jonze volta a essa abordagem com dinâmica e originalidade como se fosse a primeira vez.

ElaAs questões contemporâneas refletidas no longa Ela são diversas, em especial o efeito da tecnologia no cotidiano e as relações de cada indivíduo não apenas com outras pessoas como com o mundo. É através de Theodore e sua vida sem rumo e sem significado que o espectador é convidado a embarcar em uma jornada visualmente incrível e intelectualmente estimulante. Após o término de seu casamento, Theodore se sente completamente perdido. A única dedicação de sua vida é em seu trabalho, onde escreve cartas de terceiros para seus determinados destinatários. Além da fria impessoalidade inerte em tal tipo de negócio, o desperdício de seu talento como escritor gera uma falta de estímulo que transpassa as horas passadas em seu cubículo.

Ao se deparar com um lançamento tecnológico que promete desde artifícios mais elaborados como organizar todos os seus e-mails e agendar suas programações diárias até outros mais básicos como tocar música e servir como despertador, Theodore mal sabia que ali estava o ponto de virada de sua vida. O som reproduzida pelo sistema operacional poderia soar robótica, mas, longe disso, a voz emitida é suave e naturalmente sedutora. Logo o SO se auto nomeia Samantha (voz over representada por Scarlett Johansson) e não demora, então, a conquistar um tempo especial no cotidiano de Theodore e um lugar de carinho no coração deste homem solitário.

ElaO laço sentimental entre homem e máquina pode parecer estranho à primeira vista, mas não neste futuro indeterminado e não se você conseguir enxergar o filme e sua história além das duas dimensões da tela. Aliás, nada mais natural do que alguém sem esperanças e isolado do mundo encontrar conforto em quem quer conhecer a tudo e a todos, não importa a forma como esse carinho – ou mesmo amor – venha.

Um dos pontos firmados por Jonze é exatamente como um encontro inusitado pode mudar não apenas a rotina, mas o olhar e a percepção de alguém e o quanto isto é mágico e não deve ser limitado por tradições ou expectativas de terceiros. Theodore permite que Samantha entre e conheça sua intimidade além dos compromissos de sua agenda e dos e-mails que precisam ser deletados. Um espaço raro na vida de quem está em um estado de desilusão constante e abrangente, porém invadido por esta voz compreensiva e excitada que através da lente de um celular vê o universo com olhos curiosos.

Seguindo alguns de seus maneirismos (que podem ser vistos, por exemplo, no INCRÍVEL curta-metragem I’m Here), Spike Jonze usa de uma trilha sonora caprichada, do movimento lento da câmera, dos tons claros na fotografia e figurino e do cenário urbano para ambientar um personagem que tenta se encaixar e se encontrar em meio a rotinas malucas e aceleradas da metrópole. É difícil não se identificar e se deixar tocar por Theodore e sua busca constante por um espaço único, por um tempo mais lento e proveitoso e por seu desejo recém revelado em descobrir um novo patamar de relação com os outros e de compreensão interna.

Galeria de fotos Ela

 

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About the Author

Criadora e editora-chefe do site Funny Girl. Apesar de ter prestado vestibular para Rádio e TV e adorar dar uma de jornalista, Maiara é cineasta por formação. Residente em São Paulo, suas grandes paixões são o cinema e o teatro, embora também não resista a um bom livro e seja levemente viciada em seriados de televisão.



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