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Crítica: "O Conselheiro do Crime" - Funny Girl

Cinema

Published on outubro 30th, 2013 | by Pedro Henrique Oliveira Vieira

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Crítica: “O Conselheiro do Crime”

A ideia comum no cinema é a de que um o roteiro deve explicar detalhadamente as situações e problemas expostos e enfrentados pelos personagens de um filme. Isso acarreta em um comodismo por parte do espectador, que não precisa fazer muita coisa além de ficar em sua cadeira assistindo a um longa, sem realmente se importar em pensar para entender o que vê na tela.

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O novo trabalho de Ridley Scott, intitulado “O Conselheiro do Crime”, é uma grande exceção a essa regra, sendo um desses filmes que busca justamente contar uma história sem grandes explicações, deixando para o público a tarefa de ligar os acontecimentos de forma lógica. Porém, a verdade é que por causa de uma extrema ausência de esclarecimentos, o longa acaba ficando sem nexo em sua maior parte.

A narrativa aqui segue um advogado (Michael Fassbender) que, por mais que pareça e seja um homem correto na maior parte do tempo, se envolve com um traficante de drogas. Após o problema do desaparecimento de um carregamento da mercadoria, ele percebe que o mundo do crime, liderado por pessoas gananciosas, é mais perigoso do que imaginava.

Atores de peso estão na produção. Brad Pitt, Penélope Cruz e Javier Bardem fazem bem o seu papel. Mas quem chama a atenção mesmo é Cameron Diaz, que aqui se distância da imagem de atriz de comédias românticas guardada na memória de muitos.

conselheiro-do-crime2Ela interpreta a melhor personagem do filme, uma misteriosa mulher chamada Malkina. Basicamente ela é tudo aquilo que os homens do filme – em especial, os personagens de Fassbender e Bardem – imaginam que uma mulher possa ser: uma interesseira em busca de sexo e dinheiro. Mas ao mesmo tempo é mais do que isso, se mostrando extremamente inteligente e sedutora, uma verdadeira femme fatale, com Diaz conseguindo entrar nessa personagem e passar tal imagem de forma exemplar.

Já Fassbender, o protagonista do filme, e que conseguiu arrancar elogios da crítica em seu último trabalho com Scott pelo filme “Prometheus” no ano passado, aqui não chama a atenção. Na verdade ele faz bem tudo aqui que lhe é proposto a fazer, mas seu personagem sem carisma e pouco ativo na história acaba deixando-o apagado, algo que também acontece em partes por causa da já citada narrativa confusa.

O roteiro de Cormac McCarthy parece tão bagunçado, que os acontecimentos vistos em tela só vão fazer sentido lá pela metade da projeção. E nesse meio tempo, o protagonista fica inerte, totalmente sem ação, enquanto as coisas vão não param de acontecer – embora seja fato que, mesmo depois da história já ter engatilhado, tal personagem continue quase inativo.

A montagem pouco ajuda a resolver essa confusão. É verdade que ela consegue deixar algumas coisas implícitas a partir de analogias formadas pelos planos, mas há ainda uma boa parte da trama que permanece envolvida por uma sensação de caos.

O sexo é muito referenciado na película, mas tais alusões parecem estar lá apenas para dar um tom cômico ao longa, sem realmente acrescentar nada. O mesmo acontece com vários diálogos filosóficos, que seriam muito bons, mas no contexto exposto ficam parecendo didáticos demais para tal filme, que final acaba ficando com uma mensagem rasa de lição de aceitação do mundo ao seu redor.

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Sou estudante de comunicação e apaixonado pela sétima arte. Vivo inteirado pelo universo dos quadrinhos, e adoro passar meu tempo vendo séries de tv, animações e ouvindo boas músicas. Também tenho uma boa paixão pela literatura e amo escrever.



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