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Crônica: Talvez eu mude o nome deste blog - Funny Girl

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Published on junho 13th, 2015 | by Lenise Medeiros

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Crônica: Talvez eu mude o nome deste blog

Momento Crônica em parceria com o blog A Vida é Perto.

Dizem que as boas ideias surgem quando a cabeça está livre. Saí da cama. Liguei o computador. Está frio e amanhã é feriado. Não sei  porque eu resolvi escrever sobre o que eu ando pensando. Não é a primeira vez que eu tento colocar no papel o que eu crio em pensamentos e parece que sempre que a luz acende todas as palavras me fogem. Desta vez vou tentar seguir em frente.

É engraçado como a gente cria armadilhas para nós mesmos. Percebi que eu sou viciada em redes sociais. Espiei umas vinte vezes o Whatsapp só na última hora. Facebook e Twitter foram incontáveis checadas. Na minha galeria do celular há várias fotos prontas para irem para o Instagram. O mundo atual é um prato cheio para capturar gente ansiosa.

Eu sou ansiosa demais.

Aceito trabalhos que não vou dar conta porque eu posso tentar fazer de madrugada – esqueci que existe sono, e que vez ou outra ele nos vence. Estou tendo uma pequena crise de pânico com o “não” que terei de dar para um projeto de trabalho voluntário que quero fazer há anos. Talvez eu tivesse tempo se já não tivesse me envolvido com outros tantos projetos que nem me motivam tanto assim. As vezes respiro fundo e decido que preciso de uma agenda. Não sei usar uma agenda.

Preciso aprender a dizer não para as coisas certas.

Olho novamente o whatsapp. Talvez tenha chegado uma mensagem legal em um grupo silenciado, como se caso chegassem mensagens interessantes eles não estariam silenciados. Mas a gente sempre espera. Checar o Facebook é o novo abrir a geladeira para pensar.

Volto para o Facebook. Tem tanta gente decidida. Lá todo mundo levanta bandeira, tem posição política, passa o feriado na praia. Só saí de casa no feriado para pegar o jornal. Na internet também tem espaço para quem quer ficar em casa, é claro. Você pode se esconder no edredom e passar 96h assistindo ao seu seriado favorito. E eis o maior crime cometido por mim na atualidade: não tenho seriados favoritos. Quando gosto de um, assisto no máximo uns quatro episódios por semana… e isso é um baita de um avanço. Não estou com amigos na rua, não estou em casa me entorpecendo com Girls ou Orange is the New Black. Eu só assisti à duas temporadas de RuPaul’s Drag Race. Sou uma farsa virtual.

Outra crise de ansiedade. Preciso dar um tempo no meu celular.

O ruim de estar cercado de informação é que nunca fomos ensinados a lidar com elas. Nunca fomos tão expostos a vida perfeita de nossos colegas, nunca fomos tão obrigados a ver o lado bom de tudo. Nunca tive que passar por tantos filtros – não apenas os fotográficos.

A gente cria uma bolha sufocante. Tiramos o oxigênio de dentro dela e colocamos no lugar curtidas, comentários, compartilhamento, opiniões políticas, criticas à sociedade, crítica a famosos, links do buzzfeed, flickr, doação de dinheiro para ongs, alterações de foto do perfil, convite para jogos e… você viu o novo vídeo do Porta dos Fundos?

Não sei se você é ansioso ou tudo mais, mas parece que o mundo é uma grande panelinha de escola na qual eu não faço parte. Não faço porque não sei me organizar, porque todos tem projetos paralelos e eu não sei nem se gosto dos nomes que eu escolho para os meus trabalhos de faculdade. Não me encaixo porque eu não consigo pensar em tantas coisas incríveis, nem tirar tantas fotos incríveis, nem ter posição rápida, clara e imbatível sobre todos os assuntos, do mais sério ao mais fútil. Porque há quem esteja abertamente confortável com sua condição de single lady e quem grite por quatro cantos que quer um namorado nesse inverno, e eu não sei se me importo tanto assim para ter uma posição sobre essas coisas. Eu preciso?

Me parece que até quem diz ter dúvidas tem certeza absoluta de quais são elas. E eu não consegui identificar todos os meus questionamentos ainda.

Outra crise de ansiedade. Dizem que quem usa muito redes sociais tem mais ataques como esse – até compartilhei isso na minha timeline. Ninguém ligou muito.

Mas a minha foto no Rio de Janeiro teve 78 curtidas.

Acho que minha cabeça não está tão livre assim, melhor eu voltar a dormir (pelo menos consegui terminar um texto).

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About the Author

Sempre quis estudar Teatro, me matriculei em Cinema, mas deixei para cursar Jornalismo. Gosto de maracujá, cores fortes e boas histórias. Tenho 20 anos, alguns gatos e muita coisa para aprender.



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