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Debra Jo Rupp, atriz de "Becoming Dr. Ruth" - Funny Girl

Entrevistas

Published on dezembro 13th, 2013 | by Miriam Spritzer

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Debra Jo Rupp, atriz de “Becoming Dr. Ruth”

Becoming Dr. Ruth é um monólogo cômico estrelado pela consagrada [e hilária] atriz Debra Jo Rupp, baseado na história de Dr Ruth Westheimer, uma famosa sexóloga nos Estados Unidos. Caracterizada por ser extremamente baixinha e cheia de energia, Ruth é consagrada por ter sido pioneira na área tanto na televisão quanto no rádio.

Nascida na Alemanha um pouco antes do Holocausto, por ser judia teve sua família enviada para campos de concentração, enquanto ela fora mandada para um orfanato na Suíça. Após a guerra, passou por Jerusalém, onde foi atiradora na Haganah (exército de defesa); Paris, onde estudou na Sorbonne; e finalmente chegou aos Estados Unidos, onde fez o seu doutorado e criou a sua família. O enredo da trama se passa na sala da casa de Dr. Ruth enquanto ela arruma suas coisas para se mudar para outro apartamento. Conversando com o público sobre suas memórias, ela mostra toda sua trajetória até se tornar a celebridade que é. A peça é bem informativa historicamente e mantém um tom otimista, mesmo quando conta sobre as grandes dificuldades pelas quais passou até chegar aos Estados Unidos.

Debra Jo Rupp

Tivemos a grande honra e oportunidade de conversar com Debra Jo Rupp, que com muito senso de humor e sua voz inconfundível, contou sobre seu trabalho na peça!

Obrigada por nos ceder este tempo, só imagino o quão ocupada você deve estar! Esta é a primeira vez que faz um monologo desse tipo?

Bom, eu nunca antecipei, você sabe, um show de uma só pessoa é fantástico… Eu só me dei conta depois que a gente estreou que a responsabilidade é toda minha!  Eu fiz uma peça chamada A Girls Guide to Chaos em 1986, era quase um monologo, havia outros personagens mas eram participações menores. Era uma peça em que eu também falava diretamente com o público, então eu já estava acostumada. “Acostumada” 25 anos atrás. Mas sim, é a primeira vez que faço uma carga pesada como esta.

Como você lida com os desafios que ele trás? É bastante intenso e informativo, sem contar na parte emocional da peça.

É algo, é realmente algo! E eu lhe digo, e não disse isso a ninguém mais, mas as vezes é a forma que a pergunta foi feita, sabe? O que eu descobri é que o público é o que muda tudo para mim. Cada público é diferente. Então o que traz a vida da peça para mim é aquele público especifico. Nos primeiros 10 minutos eu estou me acostumando com este público, estou descobrindo quem são, do que estão rindo, a que eles estão respondendo. Dependendo disso, vai ditar como que o show vai ser. O show pode ser drasticamente diferente de uma noite para a próxima. Muito, muito diferente.

Se é um público principalmente judeu, eu percebi que eles precisam parar um pouco no holocausto. Você sabe, eles ficam emocionalmente envolvidos e precisam sentar ali por um tempo. O que é totalmente ok. Quando não é este público, principalmente nas sextas à noite, a parte do holocausto é mais informativa, mas o que ressoa com a plateia é a perda dos pais. Independente das circunstancias, é a perda. A peça é extremamente universal porque toca em muitos pontos que todos temos em comum.

Não imaginava que pudesse mudar tanto!

Muda muito! Eu não acho que o público se dá conta. Como eu falo com eles o tempo todo, não há uma quarta parede, então eles são o outro personagem para mim.

Que interessante, isso faz sentido porque realmente nos sentimos como se estivéssemos na sala de casa da Dr. Ruth. É uma conexão muito forte!

Exato! E eu me pergunto se as pessoas que estão sentadas na frente recebem um show diferente das pessoas que estão no fundo do teatro. Mas não tenho resposta a essa pergunta, é uma curiosidade minha.

Seria interessante saber mesmo. E já que estamos falando sobre o a conexão do público, que tipo de retorno você tem recebido sobre a peça?

Tem sido incrível! Nós sempre tivemos uma reação forte do público. Geralmente são aplausos em pé imediatos, acho que em apenas uma performance em NY que isso não aconteceu. Há algumas coisas que eu fico atenta durante a peça para ver se tenho o público ou não… São como marcações para mim. Se eu não estou com eles, penso “Ok, ok, tenho que trabalhar mais aqui e ali” e claro que uma delas é no final, se eu escuto fungadinhas de choro, penso “Ok, bom show! Fiz bem!”

Mas o público tem amado! E a maior reação é que muitos, e eu era um deles, pensam que Dr. Ruth era uma mulher agarrada num truque fazendo dinheiro em cima disso, sabe? Sem se dar conta de tudo que ela passou para chegar onde chegou.

O quanto você conhecia sobre o background da Dr. Ruth? De sua carreira e trajetória.

Ah, eu não sabia de absolutamente nada. Aliás, isso é o quão pouco eu sabia: Eu achava que ela era uma atriz que inventou um sotaque para ter um programa de televisão. Juro! Não sabia nada sobre ela, mas claro que sabia dela. Antigamente havia um programa de televisão nas sextas a noite chamado Friday Night Video, então já havia visto ela nisso. Eu nunca assisti ao programa dela, mas lembro de ter a ouvido rádio. Então eu sabia que tinha haver com sexo, e que talvez ela fosse uma atriz com um sotaque – porque certamente não era de nenhum país que eu conhecia. E isso era o que eu sabia sobre ela.

Uma das únicas razões que eu aceitei o papel, além de gostar muito dos textos de Mark St Germain, foi quando ele me disse que ela havia sido uma atiradora que eu disse “O que?!”. Havia duas coisas completamente diferentes na minha cabeça então pensei “Acho que isso pode ser interessante!”.

Ela é um pacote completo como personagem, há várias personagens dentro dela. Como você se preparou para isso? Qual foi o seu processo de pesquisa? Você conheceu ela?

Eu falei muito com ela. Fui ao seu apartamento algumas vezes. A encontrei para vários almoços e jantares, inclusive a filmei caminhando já que em todos vídeos que encontrei ela estava sentada. Foi observação e também, como ela, eu sou baixinha, então estou acostumada a olhar pra cima, caminhar rápido. Eu também tenho muita energia, o que é um requisito absoluto para esse papel. Então, parte disso veio naturalmente para mim. Eu me identifiquei.

A Dr. Ruth já assistiu a peça? O que ela achou?

Milhões de vezes! Ela adora a peça! Eu acho que no momento que ela decidiu deixar o Mark escrever, ela disse “Vai em frente”. E ela nunca interferiu, ela tem sido positiva, ela ama o show! Os filhos – eu falo na peça de Miriam e Joel – também já foram, os netos já foram, toda a família já assistiu.

Nossa! É incrível! E como é para você interpretar alguém que não só está viva, como assiste a peça regularmente, assim como sua família?

Eu fiquei com um pouco de medo no início. Na verdade essa era uma parte bem difícil para mim. Eu tive muita sorte por ela ser uma pessoa tão generosa e espirituosa. Ela diz sempre: “Eu sei o que eu não sei”. Ela quer dizer que ela não entende de atuação, de montar uma peça, então ela se manteve afastada dessa parte. Ela vem aos ensaios para assistir mas nunca interfere em absolutamente nada. Ela está lá para apoiar e continua fazendo isso. Ela é extraordinária!

E quanto a família, eles estão extremamente orgulhosos de ver os principais momentos da vida dela no palco.

Debra Jo Rupp

Você tem um momento favorito da peça?

Não, porque de novo, depende da plateia. Dependendo do público, do que eles estão respondendo, há algumas coisas que eu fico de olho. Em um determinando momento eu vou fazer eles rirem, e aí penso “Esperem só até verem isso!”.

Tenho que admitir que amei a foto com o Paul McCartney!

Eu sei!!! Bom, geralmente na peça, se eu estou tendo alguma dificuldade ou, como na semana passada, quando eu estava doente e era extremamente difícil de fazer o espetáculo, principalmente nas quartas com a matine. Então se eu estou cansada, ou não consegui levar o público para onde eu quero, eu geralmente posso contar com Bill Clinton… Aí eu pego eles, e vem Paul McCartney, aí pego o alvo do tiro-ao-alvo, começo a falar de Israel, e mantenho o público comigo até o final. Eu acho que a parte mais desafiadora foi que mesmo eu tendo muita energia, ela tem que ser sustentada por 97 minutos de peça. É longa para uma pessoa só!

Eu tenho que te perguntar, e o sotaque?

Sabe, eu acho que muitos que vem assistir a peça me conhecem de That 70ths Show e eles acham que vão assistir uma versão Kitty Forman sobre alguma coisa de sexo e Dr. Ruth. Eu olho os seus rostos quando estou entrando no palco e começo a falar e vejo as expressões deles dizendo “Ah não, não, não, não… Vou ter que me esforçar muito para assistir essa peça.. não, não..” Mas depois que passam os primeiros 5 ou 10 minutos de show, fica tudo bem.

E como que você construiu esse sotaque? Apenas de ouvir Dr. Ruth?

Parte foi ouvindo ela, mas eu também tive um treinador de fala, porque é uma mistura de quatro diferentes países. Eu não estou interpretando ela hoje, e sim 25 anos atrás. A voz dela mudou consideravelmente desde então. Muitos críticos falaram que eu não peguei bem o sotaque, mas a verdade é que sim, eu peguei, apenas o que eles acham que ela soava e o que eu acho são duas coisas diferentes. Num primeiro momento fiquei chateada, mas depois pensei “Sério?! Como vocês podem saber disso?”.

O que fez você aceitar o projeto?

DJR: Eu acho que a primeira motivação foi, e já disse isso antes, mas é a mais pura verdade, porque me assustava demais! E eu sabia, tinha quase certeza, de que poderia fazer, mas era muito assustador. Quando algo lhe assusta tanto como isso, principalmente na minha idade, você tem que fazer. Além disso, era em uma pequena cidade em Massachusetts, se fosse terrível quantas pessoas teriam ido lá assistir? Eu senti que era um grande desafio, e aceitei ele.

E agora você está em Nova Iorque e é um sucesso!

Sim! Fico muito orgulhosa disso!

Quais são seus próximos projetos?

Nossa, não posso nem pensar agora. Só sei que quero férias grandes!

Becoming Dr. Ruth está em cartaz no West Side Theatre e fica em cartaz até o dia 22 de dezembro!

Veja mais cenas do espetáculo em nosso CANAL no YouTube, clicando AQUI.

Para mais informações: http://www.becomingdoctorruth.com/

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About the Author

Apaixonada por New York e pela Broadway, sou aquela pessoa que vê cinco peças em um fim de semana, acompanha revistas e sites de moda e frequenta o MOMA mais do que a academia. Além de correspondente do Funny Girl na Big Apple, trabalho em coaching e vivo pelo mundo competitivo das performing arts como cantora, atriz e ex-bailarina clássica.



2 Responses to Debra Jo Rupp, atriz de “Becoming Dr. Ruth”

  1. Talvany Carlotto says:

    Ficou ótima a entrevista, Miriam! Adorei ler! ;D

  2. Gian Venturini Reis says:

    Demaisssss Miriam!!! Sempre Kitty do That 70’s Show <3

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