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Oceano: Animação em rotoscopia LINDA feita por estudantes da USP - Funny Girl

Cinema Oceano Animação em Rotoscopia

Published on maio 13th, 2015 | by Lenise Medeiros

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Oceano: Animação em rotoscopia LINDA feita por estudantes da USP

Cinco amigos e um fim de semana na praia. Seria uma história comum caso eles são possuíssem superpoderes e nem fossem os personagens do curta-metragem “Oceano”, idealizado pelos alunos de Audiovisual da Universidade de São Paulo (USP).  O filme conta a história de Luna, uma garota que possui o superpoder de controlar a água e, após ver um menino se afogando no mar, se questiona se não seria hora de começar a usar o seu dom para bens maiores.

O trabalho, que tem previsão para o segundo semestre deste ano, está sendo feito em rotoscopia, técnica em que primeiro são feitas imagens com atores para que depois os animadores desenhem por cima, frame a frame. Ao todo, estão envolvidos 30 profissionais, entre filmagem e animação. Para conseguir finalizar o trabalho, o grupo conta com uma página no site Catarse, em que para cada valor de doação, uma lembrançinha do filme feita pela própria equipe é enviada como agradecimento (você pode contribuir clicando aqui ;]).

Além do projeto, eles mantêm um Diário de Bordo e uma página no Facebook, em que compartilham todo o processo de criação, além de imagens e videos. Conversamos por e-mail com o diretor e idealizador de Oceano, Renato Duque sobre a história, os personagens e o processo de animação em rotoscopia.

Oceano Animação em Rotoscopia


Como surgiu a ideia do filme?

As personagens do filme sempre estiveram na minha cabeça, faziam parte do meu imaginário, algumas já bem definidas, outras ainda eram imagens soltas apenas. Quando tivemos a chance de propor um curta-metragem dentro da faculdade, me reuni com o Felipe Santo e a Mariana Vieira, companheiros de trabalho, e disse que queria fazer uma animação. Sempre fora meu sonho, e quis colocar a mão na massa. Sempre quisemos fazer um filme de super heróis, então foi um pulo para que as personagens que por tanto tempo cultivei na minha cabeça tomassem forma.

Quais referências vocês usaram para o filme?

Ao longo da escrita, tínhamos que fazer um processo inverso – como muitas coisas já estavam claras, fazíamos um processo de “auto investigação”, tentando entender da onde vinham as referências que compunham nossos gostos. No campo de animação, são referências para nós desde curtas em rotoscopia independentes já produzidos no Brasil, até animes dos anos 90, como Sailor Moon e Sakura Card Captors, que assistíamos na infância – somos muito fãs das produção do Studio Ghibli também. E vários outros filmes, de várias maneiras diferentes, me influenciaram: Truffaut, Sofia Coppola, Kurosawa, Ozu. A lista é grande.

Por que vocês optaram por fazer a animação em rotoscopia?

Foi a solução para juntar as duas coisas: o trabalho com atores, em um set de filmagem, e também o trabalho de traço da animação. Gosto de trabalhar em equipe e não queria perder isso. Além do mais, a rotoscopia sempre me intrigou: já havia feito alguns testes por conta própria, e fui muito movimentado pela curiosidade do que seria uma representação por essa técnica em um filme.

Oceano Animação em Rotoscopia

Oceano Animação em Rotoscopia

Como é o processo de animação em rotoscopia?

Nós filmamos metade do filme em um estúdio, quase sem direção de arte, apenas com elementos estratégicos que nos mostrassem a proporção e a distância das coisas, e metade na Praia do Tombo, no Guarujá. Nós pegamos esse material e o transformamos em desenho animado, desenhando frame a frame o material captado. Dessa forma, aproveitamos o gestual dos atores, e temos a liberdade de criar o cenário e os efeitos especiais.

Como foi o processo de criação do filme?

Tem sido um processo difícil, e digo dessa forma, pois fazer um filme é uma constante descoberta. Tiramos um tempo antes da execução para nos planejarmos e fazermos o design dos personagens, mas ainda assim, a grande parte da criação se deu enquanto fazíamos o filme em si.

É um processo constante de vem-e-vai, avançar na concepção, e voltar atrás para consertar um problema que só surgiu no final. Na rotoscopia, gravação/animação/colorização são interligados e dependentes. Portanto é necessário sempre pensar a curto e a longo prazo no processo de criação, para que tudo faça sentido no final.

O que mudou nos personagens desde o início do roteiro até agora?

Os personagens passaram por duas grandes transformações. A primeira delas, foi quando os papéis encontraram os atores. Cada um deles pois muito de si nas interpretações e preencheram muitas lacunas da “ficha de personagem” com suas ideias. Foi um processo riquíssimo, o de criação com eles, e diante da câmera o personagem se torna uma terceira coisa, que é o misto das minhas projeções com o talento deles. A segunda, quando eles ganham a forma animada – e isto foi um pouco surpreendente. É incrível como as características do traço (sua espessura, se é fechado ou não, rigidez, nível de contorno, etc) é intimamente ligada à personalidade não só do personagem em si, como também da animadora que o fez. Sei reconhecer o traço de cada uma no filme, e no final das contas, o personagem se torna essa construção múltipla de visões, e que – espero – faça se sentido e se torne uma coisa só no final!

Oceano Animação em Rotoscopia

No Diário de Bordo que vocês mantêm na internet, muito é comentado sobre a intensidade do olhar da protagonista, Luna. Por que vocês optaram por essa característica marcante?

Um dos nossos maiores desafios foi contar a história de uma personagem que é introspectiva e silenciosa. A Luna não é uma protagonista comum de filmes de super poderes, pois é muito voltada para si mesma. O seu olhar reflete isso, e é através dele que ela se comunica com o mundo e com nós.  Ao mesmo tempo em que nos mostra seus sentimentos, não explica totalmente o que se passa – no final das contas, isso é impossível. E essa dose de “mistério” acompanha Luna, nós tentamos contar pela sua relação com a água, sua “magia”. 

Você descobriu, afinal, “o que é Oceano para o mundo”?

Ainda não descobri, e desconfio que quando estamos em processos longos assim, nunca iremos entender totalmente o que está acontecendo. Mas posso afirmar que, divulgando e fazendo a campanha de arrecadação, o filme deixou de ser uma ideia de poucas pessoas para ser atravessado por muita, muita gente, e diferentes subjetividades e opiniões. E isso está sendo muito gostoso e nutritivo. Não sei exatamente o que ele é para o mundo agora, mas sei que ele é uma coisa vasta, plural, e que está ali, entre o esboço da Luna que tinha na minha cabeça, e o olhar dela que se voltará para muitos na tela do cinema.

 

Oceano Animação em Rotoscopia

 

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Sempre quis estudar Teatro, me matriculei em Cinema, mas deixei para cursar Jornalismo. Gosto de maracujá, cores fortes e boas histórias. Tenho 20 anos, alguns gatos e muita coisa para aprender.



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