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"Dorotéia" volta aos palcos - Funny Girl

News Doroteia

Published on maio 20th, 2017 | by Maiara Tissi

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“Dorotéia” volta aos palcos

Texto de Nelson Rodrigues, Dorotéia está em cartaz no Teatro CETIP com direção e encenação Jorge Farjalla e elenco de nomes como Leticia Spiller, Alexia Dechamps e Rosamaria Murtinho, que comemora 60 anos de carreira sendo protagonista da peça.

A montagem, onde o sagrado e o profano caminham juntos, estreou em fevereiro de 2016 no Rio de Janeiro e realizou 4 temporadas na cidade sempre com casa lotada. Excursionou também por Uberlândia, Araxá, Maceió, Recife, Fortaleza e Salvador com grande sucesso de público e crítica.

Escrita em 1949, Dorotéia fecha o ciclo das obras do teatro desagradável de Nelson Rodrigues, intitulado pelo crítico Sábato Magaldi como “peças míticas” sendo a única farsa escrita pelo autor. O texto é uma ode à beleza da mulher onde a heroína, título da obra, segue em busca da destruição de sua própria beleza para se igualar a feiura de suas primas Dona Flávia, Maura e Carmelita.

 Doroteia

Matriarca da família, Dona Flávia recebe Dorotéia, ex-prostituta que largou a profissão após a morte do filho e vai buscar abrigo na casa de suas primas, onde vivem também Maura e Carmelita, num espaço sem quartos e onde há 20 não entram homens. Três viúvas puritanas e feias que não dormem para não sonhar e, portanto, condenadas à desumanização e à negação do corpo, dos sentimentos e da sexualidade. Arrependida, Dorotéia procura abrigo na sua família e é, em alguns momentos, questionada por Dona Flávia, a prima mais velha, que, mesmo com sua raiva, implicância e orgulho, faz de tudo para removê-la da ideia, às vezes com uma nesga de afeto, de fragilidade e disfarçados gestos de acolhimento, mas contando que ela aceite as condições de viver naquela casa. Dorotéia, linda e amorosa, nega o destino e entrega-se aos prazeres sexuais. Este é seu crime, e por ele pagará com a vida do filho e buscando a sua remissão. Na história desta família de mulheres, o drama se inicia com o pecado da avó que amou um homem e casou-se com outro. É neste momento que recai sobre todas as gerações de mulheres da família a “maldição do amor”. Elas estão condenadas a ter um defeito de visão que as impede de ver qualquer homem, se casam com um marido invisível e sofrem da náusea nupcial – único sinal de contato que teriam em toda vida com o sexo masculino. Em troca de abrigo, Dorotéia aceita se tornar tão feia e puritana como as primas.

O motivo central que organiza a peça é o dilaceramento do espírito humano e o delírio que se constitui através da fissura, das vontades. As personagens são “fissuradas” por algo que não podem ter: o sexo. A convivência entre prazer e pureza em que ao mesmo tempo são cortadas ao meio pela tensão daí decorrente, que termina por destruir as formas de vida, ou seja, a personagem central pecou e se arrependeu. Arrependeu? Nem tanto, pois sob a instigação de Dona Flávia, para concluir sua purificação pela feiura e pela doença incurável deve pecar novamente com Nepomuceno, o senhor das chagas. Dorotéia é uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável. Por um momento paira a esperança de que a maldição não se cumprirá, mas ela é irreconhecível.

De todos os símbolos presentes na obra, o mais enigmático para os dias de hoje é o do “Jarro”, pois ele representa a imagem do espaço do prostíbulo, graças ao uso que dele faziam as mulheres, sobretudo as prostitutas na precariedade de seus ambientes, para se lavar depois do ato sexual.

O uso do símbolo presente na obra, “uma casa sem móveis”, é o fio condutor para essa encenação onde o espectador está junto com o ator, diminuindo assim, a distinção entre palco e plateia. Assim, o texto “Rodrigueano” ganha outro valor, tanto para os atores quanto para o público, pois as interpretações são baseadas no íntimo das relações entre ator/público e ator/espaço, propondo assim uma verossimilhança entre real e imaginário não presentes na obra. Nesta encenação o público é convidado a entrar literalmente na casa das primas de Dorotéia, com 100 lugares disponíveis no palco.

Doroteia

Serviço:

Teatro Cetip – Instituto Tomie Ohtake (627 lugares)
Rua Coropés, 88 – Pinheiros

Temporada: 12 de maio até 02 de julho de 2017

Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

Ingressos:
R$ 110 (Plateia Premium – no palco)
R$ 90 (Plateia) | R$ 70 (Balcão)

Duração: 90 minutos
Recomendação: 16 anos

Vendas: www.ticketsforfun.com.br

Ficha Técnica:

Texto | Nelson Rodrigues
Direção e Encenação | Jorge Farjalla
Dramaturgia | Rosamaria Murtinho, Jorge Farjalla e Diogo Pasquim
Elenco | Rosamaria Murtinho, Leticia Spiller, Alexia Dechamps, Anna Machado, Dida Camero e Jaqueline Farias
Homens Jarro | André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil
Direção Musical | João Paulo Mendonça
Produção Musical | André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil
Eletrônica ao vivo e difusão| João Paulo Mendonça
Direção de Arte e Espaço Cênico | José Dias
Figurinos | Lulu Areal
Iluminação | Jorge Farjalla, Jessica Catharine e José Dias
Preparação Corporal | Jorge Farjalla
Preparação Vocal | Patrícia Maia
Maquiagem e Visagismo | Anderson Calixto
Fotografia | Carol Beiriz
Design Gráfico | Julia Sampaio
Assessoria de Imprensa | Morente Forte
Ass. Direção | Diogo Pasquim e Raphaela Tafuri
Camareiro | José Lima
Contrarregra | Márcio da Silva
Produção Executiva | Sandra Valverde
Direção de Produção | Lu Klein
Transportadora Oficial | Avianca
Realização MRM Produções

Doroteia

 

Imagens:  Carol Beiriz

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About the Author

Criadora e editora-chefe do site Funny Girl. Apesar de ter prestado vestibular para Rádio e TV e adorar dar uma de jornalista, Maiara é cineasta por formação. Residente em São Paulo, suas grandes paixões são o cinema e o teatro, embora também não resista a um bom livro e seja levemente viciada em seriados de televisão.



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