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Kathryn Stockett: Quando uma personagem muda a sua vida - Funny Girl

Comportamento Kathryn Stockett

Published on maio 11th, 2015 | by Lenise Medeiros

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Kathryn Stockett: Quando uma personagem muda a sua vida

 Publicação em parceria com o blog A Vida é Perto.

 

Li “A Resposta” no final de 2012, quando estava saindo do ensino médio e me preparando para um ano de cursinho pré-vestibular. Na época, queria fazer faculdade de Cinema e nem me passava pela cabeça fazer Jornalismo, mas o livro me mostrou uma personagem que se tornaria uma das minhas favoritas, a Skeeter. Um ano depois, quando decidi por essa profissão, eu tomei a repórter de 22 anos recém formada como uma das minhas maiores inspirações.

Em 2011 foi lançado um filme inspirado no livro, que chegou ao Brasil intitulado “Histórias Cruzadas” (trailer aqui). O longa é muito parecido com o livro e foi bem recebido pela crítica. A personagem principal é interpretada pela Emma Stone e o elenco ainda conta com Jessica Chastain, Viola Davis e Octavia Spencer – que levou um Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua personagem.

A história se passa nos Estados Unidos de 1962, na cidade de Jackson, Mississípi, sob a perspectiva de três personagens: Aibileen, uma empregada negra que já está cuidando de sua décima sétima criança branca e que perdeu um filho jovem enquanto trabalhava. Minny, melhor amiga de Aibileen e também empregada doméstica. Tem quatro filhos e uma relação difícil com o marido. Por ter a linguá ‘afiada’, Minny perde muitos empregos e tem má fama na cidade, e Eugenia Phelan, a Skeeter, uma jovem que volta para sua cidade natal após se formar em Jornalismo na Universidade Ole Miss. A mãe da garota está doente e quer a qualquer custo que a filha se case, e a babá que a cuidou desde pequena foi embora – mas ninguém aparenta querer dar alguma explicação sobre a partida para a moça.

As amigas de infância de Skeeter já estão casadas e tem filhos – criados por empregadas negras. Sua amada babá foi misteriosamente embora para outro estado, a mãe está doente e o único emprego que consegue é em uma coluna sobre dicas de limpeza no jornal da cidade. A garota parece estar fadada ao pacato estilo de vida de Jackson, mas, no entanto, ela pensa além: quer um emprego em alguma revista importante e se mudar para Nova Iorque – cidade onde tudo acontece. Incentivada por uma editora  a escrever sobre “aquilo que a incomoda mas parece não ser visto por mais ninguém”, a jovem decide começar um livro sob o olhar das até então esquecidas empregadas negras.

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Vale lembrar que na época os Estados Unidos possuía a segregação racial escrita em leis. Haviam escolas para brancos e escolas para negros. Livros emprestados para brancos em bibliotecas não poderiam jamais ser emprestados para negros e até para o transporte público existiam regras (leia aqui a história de Rosa Parks). Martin Luther King estava no auge do movimento pelos direitos civis e próximo de realizar a famosa Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, em 1963, em que fez o histórico discurso “Eu tenho um sonho“. Ou seja, conseguir o depoimento das negras da cidade seria uma tarefa impossível, principalmente porque os casos de violência contra a população pobre e negra vinha aumentando e a Ku Klux Klan tentava mostrar que ainda tinha força mesmo após entrar em declínio.

No livro, é possível entender a dificuldade das mulheres negras que não tinham nenhuma perspectiva de vida a não ser se tornarem empregadas domésticas e criar crianças brancas, que cresceriam e se tornariam os patrões de outros negros. Mulheres que não podiam acompanhar o crescimento dos próprios filhos e que eram impedidas de usar o banheiro da casa em que trabalharam. A autora Kathryn Stockett cutuca uma ferida ainda aberta nos Estados Unidos e no mundo, o preconceito e a desigualdade entre brancos e negros – 1963 é logo ali.

Além da trama principal, o livro denuncia como a estruturação da sociedade excluía outros tipos de pessoas que não se enquadravam no ideal de “cidadão do bem”, como a mãe de Hilly, uma das amigas de Skeeter, que é internada em um asilo após ser considerada “caduca”, e Célia Foote, que é ignorada por todas as moças da cidade por ter vindo de uma região pobre e conquistado o “bom partido”, que por muito tempo namorou Hilly. A Sra. Foote também usava roupas consideradas ousadas e contratou Minny quando ela não conseguia emprego em nenhuma outra casa em Jackson – o que causou ainda mais raiva na elite local.

A obra te envolve em uma história cheia de momentos de tristeza, mas de esperança também: a personagem Skeeter se torna a voz daqueles que até então não tinham possibilidade alguma de se expressar. Com a ajuda inicial de Aibileen, ela constrói uma relação de confiança com as empregadas e percebe que a o buraco da segregação era bem mais fundo e podre do que até então ela conseguia imaginar, e demonstrou como conquistas que muitas vezes parecem impossíveis podem ser alcançadas com união, trabalho e coragem.

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About the Author

Sempre quis estudar Teatro, me matriculei em Cinema, mas deixei para cursar Jornalismo. Gosto de maracujá, cores fortes e boas histórias. Tenho 20 anos, alguns gatos e muita coisa para aprender.



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