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Em detalhes: "Sweeney Todd" pela NY Philharmonic! - Funny Girl

Crítica Sweeney Todd NY Philharmonic

Published on março 13th, 2014 | by Miriam Spritzer

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Em detalhes: “Sweeney Todd” pela NY Philharmonic!

Todo ano a NY Philharmonic traz ao seu repertório um musical e este ano foi a vez de Sweeney Todd. As apresentações aconteceram do dia 05 ao dia 09 deste mês, e nós do Funny Girl estávamos lá para contar detalhadamente como foi este concerto para vocês!

Geralmente estas releituras propostas pela orquestra se tornam lendárias para o público, portanto a sensação ao assistir um espetáculo de teatro musical no Avery Fischer Hall é de história sendo feita em frente aos seus olhos. As obras de Sondheim são bem frequentes no repertório da NY Philharmonic, portanto é seguro dizer que o compositor é um dos favoritos. O último concerto de Sweeney Todd pela orquestra foi realizado no ano 2000, com um elenco que contava com Patti Lupone, George Hearn e Audra McDonald. A reação do público na época foi incrível, até hoje o show é relembrado, a apresentação foi gravada pode ser encontrada em DVD.

Sweeney Todd NY Philharmonic

Este ano, o elenco também não deixou a desejar. A dupla principal Sweeney Todd e Mrs Lovett seria interpretada por Bryn Terfel, renomado cantor lírico, e Emma Thompson, atriz que dispensa apresentações. Além do casal, a produção não poupou também nos grandes nomes do palco: Christian Borle, ator que vem há alguns anos se destacando por papeis cômicos na Broadway, interpretou Pirelli, e um dos meus atores-cantores favoritos, Philip Quast, fez o papel do juiz (sim, mini heart-attack). A surpresa do show, que a NY Philharmonic teve todo o cuidado de deixar o mistério até no playbill do espetáculo, foi a performance de Audra McDonald como Beggar Woman.

A direção do concerto foi fantástica. O que em um primeiro momento pareceu que seria mais uma tradicional apresentação da orquestra, logo mostrou uma inteligente e ousada leitura da peça, para um espaço limitado e cheio de regras. Os solistas e coro se apresentaram no início com roupas de gala, como manda o costume, e o maestro se colocou logo atrás de um lindíssimo piano que estava no meio do palco. Nos primeiros acordes, toda essa beca foi desmontada, o piano foi virado de cabeça pra baixo, os tecidos das paredes retirados mostrando pintura de grafiti, os vestidos longos foram todos rasgados, e os homens trocaram para figurinos mais relacionados com seus personagens. Entendam que para um show na NY Philarmonic isso é uma quebra de todos os tabus.

Sweeney Todd NY Philharmonic

Sweeney Todd é uma daquelas obras que há várias camadas para se analisar, desde o roteiro e a música até a mentalidade de cada personagens. Terfel trouxe uma versão muito interessante de Todd, pois mesmo não sendo tão expressivo, conseguia transitar perfeitamente entre a frieza e dureza ao matar suas vitimas, e o carinho e nostalgia ao falar de Johanna graças a sua técnica lírica. Um bom exemplo é na cena da canção “Johanna”, em que  Todd onde ele mata três ou quatro pessoas, depois dá pirulitos para crianças que acompanham o pai na barbearia, isso tudo cantando uma melodia graciosa. Eu sempre fui grande fã do papel de Sweeney Todd quando cantado por vozes mais teatrais, mas a versão de Bryn permite perceber a qualidade da composição.

Emma Thompson, excelente atriz, não há dúvida. A comparação com Patti Lupone e Angela Lansbury é praticamente inevitável neste personagem, mas Thompson teve grande sucesso em criar sua própria interpretação de Mrs. Lovett. Ao contrário das duas atrizes divas da Broadway, Emma não tem a melhor voz, mas foi inteligente ao utilizar suas limitações vocais na interpretação, e, de certa forma, é isso que faz um ator de musicais genial. Além disso, ela é tão carismática que é impossível não prestar atenção no que faz no palco.

Sweeney Todd NY Philharmonic

Christian Borle, como sempre, faz o público cair na gargalhada. Ele é um dos poucos atores que consegue mostrar personagens super caricaturais parecerem reais, sem perder a graça. Já Audra McDonald dispensa criticas, é óbvio dizer que ela foi maravilhosa como Beggar Woman, mas vale destacar que é uma personagem bem diferente do seu usual, considerando que a personagem mais mezzo e alto do que soprano, e Audra tem uma voz soprano lindíssima. A atriz conseguiu, ainda,  retratar muito bem a insanidade mental da personagem.

Deixando o melhor para o final: Philip Quast. Para começar, o público já está acostumado com a sua interpretação de um personagem durão, considerando que grande parte das gravações de Les Mis em inglês ele interpreta Javert. No entando, como todos em Sweeney Todd, o Juiz também é desequilibrado e tem momentos de fraqueza, como em sua parte da canção “Johanna”, em que ele exercita uma auto-punição de seus pecados enquanto reza. Quast consegue interpretar perfeitamente essa briga interna do Juiz. E, claro, sua voz é incomparável. Por sorte, este é um personagem que mostra muitas das qualidades vocais do cantor, mas obviamente sai de lá questionando se ele não faria um excelente Sweeney Todd também. Este marcou o debut do ator australiano na NY Philharmonic, e esperamos que seja o primeiro de muitos outros concertos.

Sweeney Todd NY Philharmonic

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Sweeney Todd NY Philharmonic

Elenco: Philip Quast, Erin Mackey, Emma Thompson e Jay Armstrong Johnson.

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About the Author

Apaixonada por New York e pela Broadway, sou aquela pessoa que vê cinco peças em um fim de semana, acompanha revistas e sites de moda e frequenta o MOMA mais do que a academia. Além de correspondente do Funny Girl na Big Apple, trabalho em coaching e vivo pelo mundo competitivo das performing arts como cantora, atriz e ex-bailarina clássica.



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